Tercetos (Olavo Bilac)
Noite ainda, quando ela me pedia
Entre dois beijos que me fosse embora, Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:“Espera ao menos que desponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho...E olha que escuridão há lá por fora!Como queres que eu vá, triste e sozinho,Casando a treva e o frio de meu peitoAo frio e à treva que há pelo o caminho?!Ouves? é o vento! é um temporal desfeito!
Não me arrojes à chuva e à tempestade!
Não me exiles do vale do teu leito!
Morrerei de aflição e de saudade...Espera!
até que o dia resplandeça,Aquece-me com a tua mocidade!
Sobre o teu colo deixa-me a cabeçaRepousar, como há pouco repousava...Espera um pouco! deixa que amanheça!”─ E ela abria-me os braços. E eu ficava.E, já manhã, quando ela me pedia Que de seu claro corpo me afastasse,Eu, com os olhos em lágrimas , dizia:“Não pode ser! não vês que o dia nasce?A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta...Que diria de ti quem me encontrasse?Ah! nem me digas que isso pouco importa!...Que pensariam, vendo-me, apressado,Tão cedo assim, saindo a tua porta,Vendo-me exausto, pálido, cansado,E todo pelo aroma de teu beijoEscandalosamente perfumado?O amor, querida, não exclui o pejo...Espera! até que o sol desapareça,Beija-me a boca! mata-me o desejo!Sobre o teu colo deixa-me a cabeçaRepousar, como há pouco repousava!Espera um pouco! Deixa que anoiteça!”─ E ela abria-me os braços. E eu ficava.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
nuss eu amo esse texto, decorei faz tipo, muito tempo e tal.. sempre que tô andando na rua eu o recito, pra passar o tempo
Postar um comentário